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A apresentadora de TV veio ao Brasil lançar seu novo livro e disse que, por conta de seu temperamento, procura um jeito de simplificar receitas complicadas

Nigella Lawson lança novo livro no Brasil
Divulgação
Nigella Lawson lança novo livro no Brasil

A apresentadora de TV Nigella Lawson veio ao Brasil para lançar seu novo livro "Na Cozinha com Nigella - receitas do coração da casa" (Editora Best Seller, R$ 99) e recebeu a imprensa em São Paulo. A simpatia e a beleza da cozinheira britânica, que não se denomina chef, são cativantes. Quem nunca morreu de vontade com os pratos que a bela faz em sua cozinha e come com tanto gosto?

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O que mais gosta mesmo é de comer, e isso ela não nega. Em apenas dois dias no Brasil, visitou alguns restaurantes e o Mercado Municipal. Sabe o que mais gostou? Das frutas. Ela conta um pouco mais sobre os sabores que descobriu por aqui e sobre o amor pela comida:

iG: O que você sabe sobre cozinha brasileira? Já teve a oportunidade de conhecer alguma coisa?

NIGELLA:  Gostei de tudo o que vi e provei até agora. Estou aqui há quase dois dias e não é muito, mas já experimentei farofa e conheci a feijoada. O que realmente amei no Mercadão  foram as frutas. Na Inglaterra, temos frutas vistosas, mas que não tem tanto sabor como aparentam.

Para mim, o que vale é experimentar ingredientes. Eu já tinha provado comida brasileira como turista, em restaurantes. Desse jeito você nunca experimenta a comida local propriamente dita. É complicado, o que quero aqui é comer todo o tipo de comida brasileira. Quero falar com as pessoas, ir a restaurantes e talvez levar alguns livros para casa. Você sempre cozinha com o seu próprio repertório. O que quero tentar fazer é adaptar as caracteristicas históricas e reais da cozinha brasileira à minha cozinha e ver se faz sentido.

Acho que o mais importante quando se está fazendo um pesquisa de gastronomia é comer bastante e tentar perceber quais ingredientes são aqueles. Eu realmente gostaria de comer na casa das pessoas e não só nos restaurantes.

iG: Como foi feita a escolha das receitas do livro? Quando você tem que procurar alguma receita para cozinhar em casa onde pesquisa?

NIGELLA: Tem algumas receitas no livro que eu faço a minha vida inteira. Outras peguei de alguns amigos ou de outros livros. Se uso a ideia de algum livro, sempre credito o autor. Odeio quem não faz isso. Não é muito honrado e é uma ideia equivocada. Comida é como uma conversa, uma linguagem, que envolve diferentes culturas. Tem que ser bastante aberto sobre isso.

Mas também sou obssessiva em buscar receitas e amo usar a internet para isso. Também tenho muitos livros de cozinha.Você conhece a série Glee? Vi uma torta verde horrosa, mas fiquei curiosa. Enquanto assistia, entrei no iPad e comecei a olhar as receitas  para ver o que elas tinham em comum.  

Quando vejo uma receita, gosto de compará-la com outras e encontrar um jeito de torná-la mais simples.Tenho qualidades na vida, mas sou faminta, preguiçosa e impaciente. Escrever livros de culinária é pensar como dá para fazer ficar mais gostoso, como funcionaria melhor. 

iG: Você sempre diz nas suas entrevistas que não é uma chef, que é uma cozinheira. Você gostaria de ser chef e ter seu próprio restaurante?

NIGELLA: Nunca. Sinto que seria tão estranho deixar a minha vida presa a uma rotina. Talvez eu seja criativa porque não tenho uma rotina, não faço sempre o mesmo menu. Se tivesse um restaurante com cinco mesas e com um cardápio que variasse sempre, seria legal. Em um restaurante você realmente tem que ser um chef, isso inclui dinheiro, contratar pessoas, é realmente dirigir um negócio. Seria dificil abrir mão da liberdade. Sempre brinco com meus amigos chefs que eles são como prostitutas, que vendem a comida. Eu faço por amor.

Sou muito atrapalhada para um restaurante. Já tive a fantasia de abrir uma casa de chá inglês com bolos, comidinhas. O negócio é que administrar um restaurante é desesperador. É difícil, você tem que ser bom com conflitos e não gosto de confrontar as pessoas. Gosto de me dar bem com as pessoas e deixá-las confortáveis. Esse é meu temperamento. Não sou do tipo de pessoa dramática.

IG: Você tem um chef preferido?

NIGELLA: Eu amo restaurantes, mas é muito difícil. Gostava muito do Ramsay (o chef escocês, que também está na TV, Gordon Ramsay), quando ele era jovem, tinha uns 20 anos. Na verdade, tem um jovem chef inglês, Oliver Dabbois, que tenta fazer um restaurante ótimo e que não custa muito. Como consequência, tem uma fila de espera de oito meses. Ele é muito apaixonado pelo que faz. Dá para ver a criatividade.

iG: Mesmo com receitas que usam ingredientes que não encontramos por aqui, você faz muito sucesso. O que você acha que atrai as pessoas?

NIGELLA: Eu pareço uma brasileira (ri). Acho que cozinhar é adaptar. Mesmo com ingredientes diferentes dá para fazer a receita. Tento mostrar como é fácil cozinhar. Os chefs deixam transparecer que é complicado e isso mantém o mistério.

Se uso um tempero específico, tento transmitir de um jeito que a pessoa capte a ideia e faça com o ingrediente que tem. Não é errado não ter o ingrediente, pode ter um sabor um pouco diferente. É assim que a cozinha funciona de qualquer modo. As pessoas falam que uso dill, mas elas não têm. Não coloque. A cozinha latina aceita melhor isso. O pior que pode acontecer é alterar um pouco o gosto. Tudo tem que ter um pouco de experiência, assim como a vida.

iG: Você realmente assalta a geladeira a noite, como faz nos seus programas de TV?

NL:  Eu assalto sim, mas eu tento me controlar. Pare, Nigella! Pare! 

RECEITAS

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CARNE MOÍDA AO MOLHO BARBECUE

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