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Rótulos japoneses e puro malte são novidades para quem quer conhecer mais o destilado

Brasil Econômico

Rótulos japoneses e puro malte são a nova tendência
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Rótulos japoneses e puro malte são a nova tendência

Uma bebida misteriosa. É assim que Eduardo Rotella, autor do “Manual Básico do Scotch Whisky” e embaixador da marca Chivas no país, define a sua bebida preferida.

Seu avô era colecionador de rótulos, e ele diz gostar do aroma do destilado 'desde criança'. “É a bebida dos amigos, que toda comemoração tem que ter”, afirma.

Por ser uma bebida sofisticada, quem quer encontrar o ‘companheiro ideal’, seja para relaxar em casa ou brindar com amigos, precisa experimentar.

Isso, porque, com relação ao sabor, o segredo do destilado é encontrar a mistura de maltes (blend) ideal ao paladar, já que a qualidade dos ingredientes é a mesma. Cada fabricante e marca cria a própria mistura, que são secretas, o que torna a experiência mais diversa e interessante.

“Cada consumidor deve saber se prefere sabores defumados, florais, frutados ou tudo isso misturado”, diz Rotella.

O que pode realmente influenciar na experiência da bebida é o envelhecimento dos rótulos. “Enquanto uísques mais jovens são mais ‘rudes’, os mais velhos são mais intensos no sabor e aroma. Mas a sensação é mais suave”, diz o autor.

Para quem já é acostumado a tomar rótulos envelhecidos, com mais de 12 anos, produtos ‘premium’ que estão caindo cada vez mais no gosto dos brasileiros, Rotella aponta que é um caminho sem volta. “O envelhecimento abre o paladar. É difícil voltar a tomar uísques mais jovens”. Entre as opções, estão rótulos de até 21 anos, em edições especiais.

Entre as novidades, estão produtos premiados provenientes do Japão, que chegam por aqui através da empresa de bebidas Suntory. Um deles, o Hibiki, envelhecido durante 17 anos e que tem aroma de frutas tropicais e caramelo.

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O destaque de uísques do país é que são os que mais se assemelham aos tradicionais escoceses. “Eles viajaram ao país europeu para aprender a tecnologia e acabaram utilizando a mesma técnica. Porém, o sabor é um pouco diferente, pois há mudança da região”.

Portanto, a origem também conta na hora da escolha. São quatro tipos existentes na Escócia: os florais, frutados, defumados e herbais. Uísques americanos tendem a ser mais amadeirados, sabor que é semelhante ao de produtos fabricados no Canadá, com a diferença de que o final da bebida é mais ardido, devido à utilização de centeio no lugar da cevada.

Outros tipos de rótulos que começam a ser mais usuais no Brasil são os puro maltes, cuja característica é ter o sabor específico da região de produção ao invés de um aroma criado.

“Eles são mais encorpados e fortes, mais difíceis de beber. Mas podem agradar determinados paladares”, diz o especialista. Eles desembarcam no Brasil de maneira gradual, mesmo porque correspondem a apenas 5% da produção escocesa. “Nunca vai haver uma abundância de produtos do tipo, que são distribuídos no mundo todo”, diz Rotella.

O copo baixo permite sentir melhor o aroma da bebida.  Taças específicas servem para uísques mais delicados
Divulgação
O copo baixo permite sentir melhor o aroma da bebida. Taças específicas servem para uísques mais delicados


Dicas

A maneira de tomar o uísque pode influenciar muito a experiência com a bebida. Não é recomendável misturar, por exemplo, gelo à bebida. Isso porque restringe o aroma. O ideal, diz Rotella, é a mistura de água na temperatura ambiente, que permite analisar melhor a bebida, após alguns goles na forma pura. Ele recomenda, porém, que o líquido corresponde a 20% da dose da bebida. “Como estamos em um país quente, duas pequenas pedras de gelo não interferem muito no gosto. O problema é o excesso”, explica.

Misturar com outras bebidas, apenas na forma de drinks. “O que interfere menos no sabor é clube soda, uma variação da água tônica. Energético e coco? Nem pensar”.

O copo baixo permite sentir melhor o aroma da bebida. Taças específicas servem para uísques mais delicados.

Para harmonizar com a bebida, mix de castanhas, frutas secas e alguns tipos de chocolates são recomendados. “Queijos azuis não combinam com a bebida. O consumidor deve preferir os secos, como o parmesão”.

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