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Wanderson Medeiros, chef do alagoano Picuí, conta como foi a experiência de representar o Brasil em um dos congressos gastronômicos mais importantes do mundo

O Madrid Fusión deste ano, importante fórum de gastronomia, acabou ontem com gostinho de caju. O Brasil foi o país convidado do congresso, que destacou, entre as riquezas dos quatro cantos do planeta, a cozinha mineira. Comigo, mais de 20 chefs voaram para a Espanha para apresentar sabores nacionais ao mundo. E posso dizer que a gente fez bonito. “Nunca na história do evento tivemos uma comitiva estrangeira tão grande. Isso mostra a força do País”, foram as palavras de Lourdes Plana uma das diretoras do congresso, na hora em que nosso grupo subiu ao palco para a foto oficial. Emoção, orgulho, estava tudo misturado.

A homenagem aconteceu logo depois da aula de Alex Atala (D.O.M., São Paulo), “Brasil pré-Portugal”. Recebido com enorme expectativa pelo público, que delirou com suas explicações e o aplaudiu até dizer chega, o chef mostrou três receitas: maçã de coco, ceviche de flores com mel selvagem e mil folhas de madioca. Atala ainda apresentou um vídeo mostrando como a produção de alimentos em larga escala está destruindo os pequenos produtores e o nosso meio ambiente. Além dele, chefs como Felipe Rameh (Trindade, Belo Horizonte) e Ivo Faria (Vecchio Sogno, Belo Horizonte) mostraram sua cozinha mineira de vanguarda, que encantou a todos.

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Durante os três dias de feira, eu e os chefs César Santos (Oficina do Sabor, Olinda), Flávia Quaresma (consultora), Tereza Paim (Casa de Tareza, Salvador) e Mônica Rangel (Gosto com Gosto, Visconde de Mauá) e Dalton Rangel (consultor) apresentamos receitas com sabores e ingredientes típicos de nosso País, no estande da EMBRATUR. É a primeira vez que o Brasil participa do Madrid Fusión com um espaço próprio -- e posso dizer que ele era o mais bonito, mais animado e o mais visitado. Só no primeiro dia, foram mais de vinte entrevistas para emissoras de TV, rádio, sites, jornais, revistas.

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Caju: fruta que encantou os espanhóis
Getty Images
Caju: fruta que encantou os espanhóis

Fizemos angu, carne seca, sopa de palmito, tapioca, bolo de rolo e doce de caju. Este último chamou especialmente a atenção do público. Eu nem podia imaginar que os espanhóis nunca tinham ouvido falar em caju. Fizemos também dois clássicos tupinquins, cocada mole e brigadeiro, ambos com ingredientes encontrados na Espanha, e todo mundo garantiu que ia tentar fazer em casa. E não foi só isso. Apresentamos diversas farinhas de milho e mandioca, castanha-do-pará e de Baru, tudo novidade para os congressistas. Mas de todos os ingredientes o que mais deixou os povo local intrigado foi o miniarroz. As duas caixas do produto, cultivado no interior de São Paulo e distribuído no País através do projeto Retratos do Gosto, capitaneado Atala, não deu nem para a saída. Mas prometemos que, no ano que vem, vamos voltar com a mala cheia desses grãos.

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Minha sensação -- e acho que a de toda a comitiva brasileira -- é que o público estava esperando por nós há anos. Todos queriam saber o que fazemos, como anda o mercado gastronômico no País e mais de nossa cultura culinária. Saímos dalí com a certeza de estar fazendo história. Agora, é encarar o ano cheio de trabalho que temos pela frente e nos preparar para o Madrid Fusión 2014. Realização define.

*Por Wanderson Medeiros, chef do Picuí , em Maceió, de Madri, especial para o iG São Paulo

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