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Festival Gastronômico de Pernambuco homenageia o rei do baião com cardápio variado, festivo e cheio de poesia

Não é de hoje que Pernambuco recebe chefs do País inteiro em busca de seus sabores únicos. Os doces com sotaque português, heranças da colonização, e as inúmeras receitas com carne de sol, peixes e frutos do mar, que caracterizam as cozinhas do sertão e do litoral pernambucanos, atraem não só estrangeiros como os loucos por comida de outras regiões do Brasil. Este ano, o Festival Gatronômico de Pernambuco comemorou sua 11ª. Edição com homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga e, como de hábito, reuniu um time de feras para cozinhar nas principais casas de Recife, Porto de Galinhas e Fernando de Noronha.

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Se o tributo a Luiz Gonzaga não ficou claro nos pratos desenhados especialmente para a ocasião, a variedade de receitas com características pessoais de cada cozinheiro, feitas com ingredientes locais, remete a um artista que cantava o Brasil todo, sem nunca perder o regionalismo. Os pratos adaptados à cultura pernambucana, como o cannoli de ricota com sorvete de goiaba que Carlos Bertolazzi (Zena Caffè e Spago SP) serviu no restaurante de Madalena Albuquerque (Just Madá, Recife), e a cuca de queijo e goiabada que o alemão radicado em Santa Catarina Heiko Grabolle preparou para Cláudio Manoel (La Comédie, Recife) apontam a capacidade que os ingredientes daquele Estado têm de se tornar universais.

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O rei do baião era homem do povo. Mais do que tudo gostava de pegar a estrada, conhecer outras praças, sua gente, seus costumes. Seu forró de poucas notas fazia qualquer um dançar a noite inteira. Tudo a ver com as receitas típicas do Alentejo que José Julio Vintém (Tombalobos, em Potalegre, Portugal) levou ao Nez Casa Forte, com a delicadeza de Michele Uelcker (Cozinha de Iaiá, Maceió), que ocupou o sobrado de Rivandro França (Cozinhando Escondidinho, Recife), e a cozinha de Jonatas Moreira (Akuaba, Maceió) e Joca Pontes (Ponte Nova, Recife), que sofisticam o simples com maestria.

Verdade é que a cozinha pernambucana não precisa inventar muito para ser comparada à obra do filho mais ilustre de Exu. Como sua música, é festiva, autêntica e faz poesia da vida sertaneja. Danado de bom é pouco.

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