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Veja o que chefs acham de acrescentar ingredientes pouco convencionais ao bolinho de arroz com peixe. E mais: fotos de misturas nada tradicionais

Sushi de goiabada, de doce leite, de chocolate. Misturar novos ingredientes e criar pratos diferentes é uma tendência da culinária nipônica desenvolvida por aqui. As invenções verde-amarelas se tornaram tão comuns que é difícil imaginar que nem sempre existiram. Qual será o limite para essas invencionices?

"Nós tentamos adaptar os sabores japoneses ao paladar dos clientes. O brasileiro gosta de novidades”, diz Fabio Nagai, sócio-proprietário do Aoyama , em São Paulo. Segundo ele, os contrastes, como quente e frio, costumam agradar. Markito, chef do também paulistano Kiichi , unidade Vila Mariana, concorda. "Os ocidentais querem provar coisas diferentes, e enjoam logo do convencional.” No restaurante, ele serve hot roll de banana e romeu e julieta.

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Mas nem todos são adeptos dessa filosofia. Shin Koike, dos restaurantes Aizomê e Sakagura A1 , ambos em São Paulo, acredita que tem que haver limite na hora de adicionar novos sabores aos bolinhos de arroz com peixe. "Minha filosofia é pesquisar e utilizar ingredientes brasileiros em diversos pratos, mas sempre respeitando as tradições", afirma. Cream cheese ou maionese, por exemplo, nem pensar. “São ingredientes que não combinam, não fazem sentido na receita”, diz.

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Tradições à parte, o brasileiro adora essas misturebas. “Os sushimen tradicionais vão querer bater em você se o pedido for com cream cheese ou maionese. Mas o costume já está tão enraizado no Brasil que servir assim já é até esperado”, afirma Nagai. "É difícil tirar esses itens do cardápio”, afirma Markito. “Assim como a manga, o morango, o limão. O cliente ocidental aprendeu a comer sushi a partir desses ingredientes.”

Koike engole seco. "O problema é que muita gente gosta simplesmente de inventar achando que está fazendo algo novo e diferente, mas não está”, diz. O chef garante que não é contra a utilização de novas matérias-primas, desde que não a receita tenha outro nome – para ele, o que fazem por aí simplesmente não é sushi.

Apesar de também se manter fiel às tradições japonesas, Tsuyoshi Murakami, do paulistano Kinoshita , não condena as receitas criativas, com ingredientes doces, pimenta e afins. "Essa é uma tendência popular. Como muitas outras receitas que sofreram influência da cultura dos países onde são reproduzidas, esses sushis são versões do original", explica. 

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Um bom exemplo disso é o califórnia, que leva alga, manga, pepino, kani, nasceu nos Estados Unidos e conquistou os orientais. Mesmo torcendo o nariz, Koike conta que a receita, hoje, é servida até no Japão. Prova de que, quando se trata de comida, o que prevalece é (quase) sempre o gosto do consumidor. "Alguns clientes costumam personalizar o sushi. Tem uns que pedem até para tirar o arroz", explica Markito. Se você é desses, corra dos restaurantes supertradicionais -- ou eles vão correr com você.

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