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Saiba por que um rótulo nacional custa R$ 200 e um importado pode chegar a quase R$ 700

A escocesa Sink the Bismarck é vendida no Brasil por R$ 674,90
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A escocesa Sink the Bismarck é vendida no Brasil por R$ 674,90

A variedade de cervejas especiais cresce a passos largos. Cheias de nuanças, são produzidas artesanalmente e têm processos de fabricação extremamente sofisticados. Como não poderia deixar de ser, têm preços mais altos do que as velhas cervejas do dia a dia. Algumas são até mais caras do que vinhos de qualidade.

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Entre as brasileiras, a cerveja de preço mais salgado é a Vivre Pour Vivre, produzida pela mineira Falke Bier , em Ribeirão das Neves, cidadezinha na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No Empório Alto de Pinheiros (Rua Vupabussu, 305, Alto de Pinheiros, São Paulo, tel. 11 3031-4328), a garrafa com 750 ml sai por R$ 200. Mas há quem pague por ela em pestanejar. “Os gringos adoram”, afirma a especialista Carolina Oda. “Consideram o gosto exótico e agradável.”

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A brasileira Vivre Pour Vivre custa R$ 200
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A brasileira Vivre Pour Vivre custa R$ 200

O preço nada modesto tem justificativa. Essa bebida passa por três fermentações. A primeira, alcoólica, tem ação de leveduras. Depois, é a vez dos lactobacilos, que dão acidez à cerveja. Três anos mais tarde, é fermentada pela terceira vez, novamente com leveduras. Nesse momento, a Vivre Pour Vivre ganha um toque para lá de especial: o suco da brasileiríssima jabuticaba.

O resultado é uma bebida carbonatada, como um espumante, com a presença da jabuticaba bem perceptível no aroma e no sabor. “Na Bélgica, usa-se fazer cervejas com adição de frutas como framboesas, cerejas e uvas. Por aqui, há algumas com bacuri, taperebá e agora essa”, diz Carol.

Como toda bebida especial, a Vivre Pour Vivre deve ser aberta no momento certo. “Não dá para tomar uma preciosidade dessa em um churrasco ou na beira da praia” afirma o especialista Edu Passarelli. “Até pelo preço, ela merece ser degustada com atenção e em uma circunstância que favoreça a percepção de seus aromas e sabores.” Sua sugestão é combiná-la com sobremesas de chocolate ou à base de frutas. Os fabricantes indicam ainda torradas com geleia de jabuticaba com pimenta, queijos como o gruyére e pratos picantes para acompanhá-la.

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Entre os rótulos importados, o mais caro comercializado no Brasil é o Sink the Bismarck, do fabricante escocês BrewDog . Seu nome vem do navio alemão que afundou na 2ª Guerra Mundial, numa provocação aos alemães da cervejaria Schorschbräu -- que queriam produzir a cerveja mais alcoólica do mundo. Essa bebida tem teor alcoólico de 41%, quatro vezes mais lúpulo e amargor e é congelada quatro vezes para que sua água seja retirada e o álcool se concentre. Cada garrafa de 330 ml é vendida por R$ 674,90 na loja virtual Puro Malte .

“Provar uma Sink the Bismarck é uma experiência única”, afirma Carol. “Não existe nada parecido.” A especialista conta que uma garrafinha dessas dá para servir dez pessoas. “Cada um só precisa beber um cálice para sentir sua potência”, diz. Segundo ela, além do alto teor alcoólico, essa cerveja possui um IDU (índice de amargor) ao redor de 200. Uma cerveja pilsen normal, para se ter ideia, tem IDU enter 6 e 8.

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End of History, cerveja envolta em carcaças de esquilos e arminhos
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End of History, cerveja envolta em carcaças de esquilos e arminhos

Mas há quem dispense essa “relíquia”. “Acho intragável”, diz Passarelli. “Parece vodca com chá de boldo.” O preço é outra coisa que o incomoda. “Com essa grana, dá para comprar outros rótulos excelentes, como a belga Chimay Grand Reserve, que custa aproximadamente R$ 225 (garrafa de1,5 litro), e a Ola Dubh Especial Reserve30.” Essa última também é feita na Escócia, também tem um elevado teor alcoólico (8%) e, para ele, é muito mais saborosa e equilibrada do que a caríssima Sink the Bismarck. “E custa cerca de R$ 50.”

Mundo (cervejeiro) bizarro
Importadas para o Brasil pela Tarantino Beers, a Sink the Bismarck é produzida nos confins da Escócia. A empresa, que pretende abrir um bar para comercializar suas bebidas em São Paulo, no ano que vem, é a mesma que lançou, em 2010, em edição limitada, a End of History. A cerveja tinha a maior graduação alcoólica já produzida, de 55%. Suas garrafas vinham envolvidam em carcaças de esquilos e arminhos tratadas por um taxidermista (especialista em animais empalhados). De fato, as cervejas de hoje não são mais como as de antigamente.

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