Tamanho do texto

Shin Koike faz jantar japonês com gostinho paraense na casa de Thiago e Felipe Castanho

O convite de Thiago Castanho, do Remanso do Bosque , em Belém, chegou a São Paulo junto com um isopor. Dentro, Shin Koike, do Aizomê , encontrou filhote, aviú e outras gostosuras típicas do Pará. A proposta era que o chef japonês preparasse um jantar tradicional de seu país, mas com o gostinho da região amazônica.

CURTA O IG COMIDA NO FACEBOOK E SIGA NO TWITTER

Shin aceitou o desafio. Mergulhou de cabeça na pesquisa sobre o Estado de sabores intensos e peixes em abundância, e cozinhou com os irmãos Thiago e Felipe Castanho no último Vista Gourmet -- evento mensal onde já esteve Rodrigo Oliveira (Mocotó), Roberta Sudbrack (Roberta Sudbrack), Rafael Despirite (Marcel) e Tomas Troisgros (Olympe), e que recebe ainda este ano Alex Atala (D.O.M), Helena Rizzo (Maní) e Alberto Landgraf (Epice).

O encontro não poderia ter sido mais feliz. "Eles fizeram uma cozinha fusion sem ferir a tradição nipônica", diz Sérgio TsuitsuI, nissei e dono do Hakata, restaurante japonês em Belém. Segundo Shin, a tarefa não foi difícil. "Os ingredientes da Amazônia mudam a capacidade de criação de um prato", diz. "A fartura dessa terra é impressionante."

A comilança começou com ariá, espécie de minibatata de sabor acastanhado, que, temperada com gergelim e gengibre, ganhou textura de nabo. A sequência continuou com tofu imerso em caldo de pirarucu defumado e tsukemono (conserva) de maxixe -- tudo muito oriental e tão nacional.

O sushi prensado de filhote grelhado foi servido com flor de jambú, ingrediente paraense que produz eletricidade na boca quando mastigado. Depois, chicória e pimenta amazônica temperaram as finas fatias de robalo, e farinha de castanha-do-pará acompanhou o salmão marinado em shoyu e saquê.

Quando os pratos quentes foram servidos, a integração entre essas duas cozinhas foi ainda maior. Teve pargo empanado em aviú, camarões minúsculos que estamparam milhares de olhinhos na carne do peixe, porco com molho de missô e castanha, criação de Thiago, e magret de canard servido com caldo e legumes. "É um tacacá (prato típico de Belém) nipônico", disse a advogada Mikaella Ferreira, depois de raspar a cuia.

A noite acabou com a delicada sobremesa de Felipe, chamada de outono doce nipoamazônico. Pouco açucarada, trazia cenoura cozida e desidratada acompanhada de farofa e ganache de chocolate, folhas de jambú seco e sorvete da fruta uchi. Os quase 200 comensais foram para casa com olhinhos puxados e mais paraenses do que nunca.

VEJA TAMBÉM: UM PASSEIO PELO VER-O-PESO, EM BELÉM

CONFIRA: ENTREVISTA COM THIAGO CASTANHO: "MINHA CASA ERA UM RESTAURANTE"

E MAIS: RECEITAS DO CHEF THIAGO CASTANHO

    Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.