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Checho Gonzales, idealizador d'O Mercado, fala sobre o evento que atraiu 3 mil pessoas com barracas de feira e comida barata

O Mercado , evento idealizado pelo chef boliviano radicado em São Paulo Checho Gonzales, que aconteceu na madrugada de sábado para domingo, no pátio da Galeria Vermelho, em Higienóplis, São Paulo, surpreendeu. Teve fila na porta durante a noite inteira, parou o trânsito das avenidas de acesso ao local e reuniu cerca de mil pessoas em torno da comida de rua feita por chefs -- calcula-se que outras 2 mil estiveram por lá, mas não conseguiram entrar. A feira, que vendia comidinhas, vinhos e drinques por preços que variavam entre R$ 5 e R$ 20, promete entrar de vez para o calendário da cidade e aponta, quem sabe, para um novo momento na gastronomia paulistana. "Se a prefeitura monitora esse serviço, ensina regras de higiene, manipulação e fica de olho, a qualidade melhora e as pessoas passam a consumir a comida de rua sem susto", diz Checho. Veja a seguir a entrevista do chef para o iG Comida .

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Checho Gonzales, o idealizador d'O Mercado
Divulgação
Checho Gonzales, o idealizador d'O Mercado
iG: Na sua opinião, por que O Mercado tomou essa dimensão?
Checho Gonzales: Não existe esse serviço na cidade. Um lugar para as pessoas comerem antes ou depois da baldada, sem ter que viver o ritual do restaurante nem gastar tanto.

O paulistano tem fome de qu ê ?
Acho que ele tem fome todo tipo de comida. Quer experimentar a gastronomia em todos os níveis, é curioso. N’O Mercado tinha muita gente que queria entrar só para ver o movimento. Tanto que no final já nem tinha mais muita comida e, mesmo assim, as pessoas queriam ver o que estava acontecendo, sentir o clima.


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Na São Paulo Restaurant Week (evento com cardápios de restaurantes a preços fechados), os restaurantes que participam costumam ter fila na porta. N’O Mercado o público foi bem maior do que a expectativa. Isso indica o quê?
Muitas coisas. Que a gastronomia cresceu, que começa a ser entendida como parte da nossa cultura e que muita gente não pode pagar para estar em um restaurante.

Você acha que os restaurantes estão muito caros?
Muitas vezes, mas esse não é o ponto. Tem espaço para tudo, O Mercado aparece como uma alternativa acessível. E o povo não é trouxa. Tinha um ambulante vendendo pipoca em frente ao evento por R$ 8. Com R$ 10, ali, dava para comer um superssanduíche de lombo feito pelo [Henrique, chef do Sal Gastronomia] Fogaça. Agora, não adianta querer conforto. Você não pode pagar por um lugar com copos, talheres, serviço e ambiente de luxo o mesmo que paga na rua. São propostas diferentes.

Você tem o hábito de comer comida de rua em São Paulo? O churrasquinho grego do centro da cidade, por exemplo.
Aí é que está: eu não me arrisco. Pelo preço que esses pratos são vendidos, duvido da qualidade. Mas como aquele pernil do Estadão, por R$ 12, amarradão, a qualquer hora da madrugada. Como tem muita saída, sei que a comida ali está sempre fresca.

E como reverter esse cenário, tornar boa a comida de rua?
Regulamentando o trabalho do ambulante. Se a prefeitura monitora esse serviço, ensina regras de higiene, manipulação e fica de olho, a qualidade melhora e as pessoas passam a consumir a comida de rua sem susto, com segurança. Fora que, se for legal, mais chefs vão querer ir para a rua.

Você acredita que O Mercado pode ajudar?
Acho que temos que ter mais iniciativas como essa para ter força. Uma andorinha sozinha não faz nada, mas várias juntas fazem verão. E a ideia não é transformar O Mercado em um grande festival de gastronomia, mas um espaço corriqueiro que sirva comida na madrugada e faça parte da cidade. Podem e devem haver outros mercados como esse em São Paulo.

O Mercado vai virar um evento regular? Com que frequencia ele deve acontecer?
Vou conversar isso tudo com no fim desta semana, mas a princípio vai ser mensal.

Aonde vai ser?
No mesmo local. A Galeria Vermelho fica no encontro de cinco bairros, pega o público que está de passagem. Não quero elitizar a coisa. O quero é sair de dentro da galeria e ganhar mais a rua.

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O que pretende ajustar nas próximas edições?

Minha vontade é isolar a praça para melhorar o acesso. Fiquei chateado de não poder atender todo mundo. Quase mil pessoas passaram pelo evento, mas temos a informação de que 3 mil estiveram por lá. Acredito que as próximas edições não vão ser tão concorridas.

Muito chef ficou triste por ficar de fora. Você pensa em aumentar esse elenco, fazer um rodízio, talvez?
Sim, todo mundo pode participar. Claro que vou sempre priorizar essa turma inicial, que fez a coisa acontecer. Mas quanto mais gente junto, melhor.

E o que precisa para participar d’O Mercado?
É só me procurar. Aos poucos vou botando mais gente, ninguém vai ficar de fora.

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