O passo a passo da colomba pascal

Por Larissa Januário, especial para o iG São Paulo

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Confira a história do pão de origem italiana e dicas para fazê-lo em casa

Pode até parecer com panetone, mas trata-se de uma colomba pascal - ou colomba pasquale para os italianos
Tricia Vieira/Fotoarena
Pode até parecer com panetone, mas trata-se de uma colomba pascal - ou colomba pasquale para os italianos

A massa doce e de aroma cítrico tem de ser sovada por longos trinta minutos até atingir o ponto ideal. Haja braço. Depois é recheada com frutas cristalizadas e uvas passas, posta para descansar e crescer sob a ação do fermento e, finalmente, ir ao forno. O processo é lento e pouco prático, mas todo o esforço é compensado por um pão macio e leve, que se rasga facilmente com as mãos.

VEJA AQUI O PREPARO PASSO A PASSO DA COLOMBA PASCAL

A descrição até se parece com a do panetone, mas o assunto aqui é colomba pascal - ou colomba pasquale para os italianos. Aparentemente ela tem o jeitão do pão natalino, mas sua receita guarda algumas peculiaridades. A começar pelo formato de ave, daí o nome colomba, ou pomba em italiano. “O pássaro tem significado eucarístico para os católicos, além de ser um símbolo da paz. Há quem diga que também lembra uma cruz, uma remissão ao sacrifício de Cristo”, explica Sandro Dias, professor de história da gastronomia no Senac. Por essa simbologia, os católicos puseram a colomba para reinar na mesa de Páscoa. “O bolo é tradicionalmente servido após o almoço do domingo ou no café da manhã”.
Como o panetone, a colomba também nasceu na Lombardia – mais precisamente na província de Pavia, próxima à Milão. A história igualmente cercada de lenda atribui sua criação a um terrível rei e doze donzelas condenadas por ele à morte, como escreve Claudia Piras em Culinária Itália, da Ed. Hullman:

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“Quando Alboin, Senhor dos Longobardos, conquistou a cidade de Pavia, as suas exigências não se limitaram a reclamar o ouro e demais riquezas que, por direito, pertenciam aos conquistadores. Ele exigiu que lhe fossem entregues doze donzelas de beleza excepcional. Para as escolhidas não restavam dúvidas quanto ao destino que as esperava. À exceção de uma, todas se mostraram apavoradas e inconsoláveis. Essa corajosamente mandou que lhe trouxessem mel, farinha e frutos cristalizados e com eles fez um bolo, cuja forma lembrava uma pomba. Apresentou então o bolo ao Alboin que ao prová-lo encantou-se com o sabor e concedeu à moça a liberdade”.

APRENDA A RECEITA: COLOMBA PASCAL

A receita que amoleceu o coração do tirano traz diferenças sutis em relação ao panetone. “O pão doce de Páscoa leva amêndoas e glacê na cobertura”, conta o chef Felipe Abrahão, da padaria Benjamin Abrahão. No Brasil as amêndoas podem ser substituídas por castanha de caju, que têm um preço mais acessível, anota o confeiteiro. “A essência de laranja pode dar lugar às raspas da fruta fresca que garantem um sabor e aroma mais sutis”.

O preparo da colomba é demorado como o do panetone. “Requer paciência e força para sovar”. Mas Felipe garante que seguindo o passo a passo o resultado é de se comer rezando.

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