Classificações de tequila

Ela pode ser do tipo prata, ouro, reposado, añejo e extra-añejo. Descubra as diferenças

Marina Fuentes, especial para o iG

Getty Images
Agave: planta demora de sete a doze anos para amadurecer e poder ser colhida
No México, a tequila é um substantivo masculino. Apesar da tentativa de mudança de nomenclatura por parte de experts como Hugo Delgado, proprietário do restaurante paulistano Obá, vai ser difícil mudar o termo feminino, reconhecido até pelo dicionário – a mudança do hábito, no entanto, parece galgar vitórias, a curtos e certeiros passos.

A tequila – ou “o” tequila – é um produto com denominação de origem: pode ser produzida apenas em alguns locais do México, apesar de 90% da produção se concentrar em Jalisco, região onde há uma cidade chamada Tequila, obviamente com intensa produção – declarada patrimônio da humanidade pela Unesco em 2006.

Além das normas, pesam em favor do controle o fato de que a planta demora de sete a doze anos para amadurecer e poder ser colhida. “Não dá para plantar agave em qualquer área”, conta Antonieta Pozas, proprietária do restaurante La Mexicana. Elas são produzidas em estufas primeiro e depois plantadas em solo vulcânico.

Há mais de trinta tipos de agave, mas só o azul pode ser usado na fabricação desta bebida. A partir da dupla destilação do fermentado da pinha do agave, o líquido é filtrado meticulosamente e passa por um tratamento que vai definir sua classificação:

Prata : são as mistas, feitas com 60% de destilado de agave e o restante com o de outros produtos, como cana
Ouro : passa pelo mesmo processo da prata, mas recebe uma essência que muda um pouco o sabor e dá uma corzinha
Reposado: em geral são 100% de agave. São as envelhecidas ao menos dois meses em barricas. O sabor é adocicado e suave, com leve toque de madeira.
Añejo: são envelhecidas por pelo menos um ano. Como ninguém quer gastar madeira com tequila “standard”, são 100% agave e costumam agradar quem está iniciando no universo do destilado.
Extra-añejo: Envelhecidas a partir de três anos e feitas 100% com agave azul. O sabor de madeira predomina sobre o do agave.

Dorivan Marinho / Fotoarena
Não é marguerita, é margarita!
O drinque mais famoso feito com tequila é a margarita (atenção, não confundir com marguerita, a pizza!). A mistura clássica da bebida com limão e sal multiplicou o consumo do destilado pelo mundo e ganhou versões mais despojadas, como as frozen, e saborosas, como as feitas com tangerina. Outro coquetel conhecido é a tequila sunrise, que leva suco de laranja e grenadine, e a sangrita, ou maria sangrienta, uma versão “caliente” do bloody mary.

Mesmo no setor de drinques e das tequilas standard o consumo no Brasil é incerto. “Ninguém tem ideia do que é o mercado brasileiro de tequila, até porque o brasileiro não conhece a 100% agave”, lamenta o empresário Carlos Werneck, que diz que os maiores mercados consumidores são México, EUA e Canadá.

Mescal: nem pior nem melhor, diferente

Feito fora da região delimitada da tequila, o mescal é visto erroneamente como um subproduto da produção. Muito produzido na região de Oaxaca, onde também ganha uma apresentação que faz sucesso com os turistas e que inclui um “gusano” conservado pelo alto teor alcoólico do líquido, é feito de outros tipos de agave, diferentes do azul. Ali, depois de ao menos um processo de destilação (a tequila requer dois), também recebe denominações específicas de acordo com o tipo de agave usado, como limeño, la raicilla e cupreata.

Quando faz jantares exclusivos para convidados em sua casa, no bairro paulistano de Pinheiros, o mexicano Felipe Ehrenberg oferece shots da bebida e sugere uma margarita feita com mescal, “É uma bebida totalmente diferente, você vai ver”, encoraja. De fato, o mescal tem sabor mais forte (não mais alcoólico), frequentemente com notas defumadas, e pode ter uma coloração mais concentrada. Mas se a página da tequila ainda está sendo virada, a do mescal, que ainda não tem representantes no Brasil, ainda está para ser escrita.

Bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos. Se beber, não dirija.


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