Café da manhã americano

De San Diego a São Francisco, descubra o que os americanos comem de melhor – e de pior – na primeira refeição do dia

Ilana Rehavia, dos Estados Unidos, especial para o iG |

O café da manhã americano é conhecido pela combinação bombástica de waffles, panquecas, ovos e impiedosas fatias de bacon. De férias por lá, o iG Comida comprovou a fama do tal “breakfast”. Foram dez dias percorrendo estradas da Costa da Califórnia: de Los Angeles a São Francisco e, depois, rumo a San Diego, com direito a uma parada no maravilhoso Parque Nacional Yosemite.

Da experiência gastronômica, testando o que os americanos comem de melhor – e de pior – na primeira refeição do dia, tiramos ao menos duas lições. A primeira é que depois das 11 horas, a maioria dos restaurantes muda para o menu de almoço. Por isso, as raras plaquinhas com os dizeres “all day breakfast” (café da manhã o dia inteiro) são como música para os ouvidos de quem gosta de dormir até mais tarde. A segunda (e talvez mais importante) lição é que é preciso muita força de vontade se quiser evitar o excesso de calorias. Com exceção de algumas surpresas no meio do caminho – como um saudável suco de broto de trigo – os desjejuns politicamente incorretos são, na prática, quase que inevitáveis.

A jornada começou com um dia inteiro na Disney, diversão garantida mesmo para quem já passou da idade de usar orelhas de Minnie (mas usou mesmo assim). No reino encantado, a primeira dica: quer waffles em forma de Mickey? Chegue bem cedo. Os simpáticos funcionários do parque bem que tentaram ajudar. “Quem sabe o restaurante Blue Bayou, com vista para os Piratas do Caribe?”, disse um. “Acho que o Carnation Café, na rua principal, ainda está servindo o café da manhã”, arriscou outro. Mas não teve jeito. Nos contentamos com um modesto pretzel (também com a carinha do rato mais famoso do mundo), acompanhado de café com leite e muffin de abóbora.

A pequena decepção acabou sendo útil para garantir a barriga cheia nos próximos dias de viagem dirigindo pela Rota 1, a Pacific Coast Highway que, como o nome já diz, acompanha a bela costa do Pacífico, com vistas de tirar o fôlego. Com dias que começaram tarde, preguiçosos, as melhores pedidas foram as famosas diners, aquelas lanchonetes de filmes americanos que servem café de filtro à vontade.

Na Coco’s de Malibu , por exemplo, o desjejum foi o tradicional lumberjack, composto de panquecas, ovos, bacon e maple syrup – o doce xarope de bordo, extraído de uma árvore típica da América do Norte. O prato, como diz o nome, é mesmo suficiente para alimentar um lenhador. O maple syrup sem açúcar anunciado no cardápio causou surpresa e precisou ser provado. O veredicto? Completamente artificial, mas bem tragável para os acostumados aos adoçantes.

Outra opção certeira e bem americana foi o café da manhã fast-food. A lanchonete Jack in the Box , que fez uma breve aparição pelo Brasil entre os anos 70 e 80, serve a refeição o dia todo e foi a salvação quando o dia só engrenou depois do meio-dia. E para entrar no clima, o sanduíche com ovo, queijo e presunto foi acompanhado de um balde de Dr. Pepper, refrigerante com um gosto bem peculiar e difícil de descrever.

Litros de óleo, toneladas de açúcar e milhares de calorias depois, a barriga pediu uma folga ao chegar em São Francisco. A saída foi apelar para o café Starbucks , presença garantida nas principais cidades americanas. Um simples croissant e um soya latte – café com leite de soja – vieram ao resgate.

Com estômago pronto para outra, o dia seguinte começou com um programa bem turístico, um passeio pelo Pier 39. Na hora de comer, a escolha foi o antigo The Eagle Cafe , que abriu as portas em 1928. A pedida não teve nada de “pega-turista”, apesar de contar com vista para a baía de São Francisco e seus simpáticos leões marinhos. A fome era grande e dos deliciosos ovos benedict com salmão, preparados com perfeição, não sobrou nem o espaguete cru usado como decoração.

Muitos quilômetros de estrada adiante e, na manhã seguinte, a passagem pelo inacreditável Parque Nacional Yosemite valeu mais pela paisagem do que pela comida. O restaurante no esquema de bufê do acampamento Curry Village é honesto, mas não é páreo para o maravilhoso cenário de lagos, vales e montanhas, nem para a aventura que é acampar por lá. Há precauções para evitar a visita indesejada de um urso durante a noite. Anote aí: nada de comida, bebida ou cosméticos dentro da barraca. Fica tudo trancado do lado de fora em um baú anti-urso.

Na parada seguinte, San Diego, o café da manhã não poderia deixar de ser mexicano. A cidade faz fronteira com Tijuana, no México, e a influência do país vizinho é sentida com força total na culinária.
Depois de um alguns momentos de indecisão por causa do tentador cardápio, a pedida foram os huevos rancheros, uma receita clássica mexicana que tem origem nas fazendas das zonas rurais do país. O prato tem de tudo o que há de melhor na cozinha mexicana: ovos, tortilhas, molho de pimentas chilli, feijões e abacate.

No último dia de viagem, de volta a Los Angeles, bateu a consciência pesada e a solução foi embarcar na onda saudável da cidade. Para desintoxicar o organismo, disse o funcionário de uma casa de sucos, nada melhor do que um shot de broto de trigo, uma fonte riquíssima de clorofila que, afirmam, faz bem para a saúde. O suquinho verde escuro pode até ser nutritivo, mas o gosto é amargo e, depois de meia hora, a barriga gritava de fome.

Hora de recorrer à tradicional diner Denny’s , que fica aberta 24 horas e tem sempre o café da manhã à disposição. Abortamos o projeto saúde: mais panquecas, mais bacon e mais ovos para fechar em estilo bem americano o ciclo da comilança. Quando em Roma...

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