Bebidas juninas

Por Marina Fuentes, especial para o iG São Paulo

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Aprenda a fazer versões bacanas de vinho quente e quentão para aquecer as noites de junho

Vinho quente fica muito mais charmoso se servido em canequinhas de ágata
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Vinho quente fica muito mais charmoso se servido em canequinhas de ágata

Não é preciso montar um arraial com fogueira e viola para se fartar com os comes e bebes das quermesses típicas do mês de junho -- que felizmente acabam se estendendo até julho. O cardápio junino é tão gostoso que mal começa a temporada e já programamos festinhas caseiras com delirantes versões de quitutes de milho e amendoim. Pois as bebidas da temporada, quentão e vinho quente, também têm variações caprichadas

Quentão pode levar destilado japonês
A origem do quentão pode ter sido no interior de Minas Gerais ou de São Paulo. Ideal para combater as baixas temperaturas nas áreas rurais mais frias, logo ficou conhecido como “bebida de caipira” e virou combustível de arraiais e quermesses dedicadas a São João, São Pedro e Santo Antônio.

As receitas são diversas, mas respeitam uma misturinha básica: cachaça, açúcar, gengibre e limão. Canela em pau, cravo e casca de laranja costumam aparecer em versões mais incrementadas. Mas esse é apenas o ponto de partida para uma bebida que pode ser bem autoral.

Juliano Cordeiro, do bufê Zest Cozinha Criativa, lança mão da bebida em festas temáticas. “Usamos em eventos com cardápio brasileiro, mesmo que não sejam juninos. As pessoas adoram”, diz. O chef prefere servir o quentão em porções pequenas para ficar enjoativo.

Além da receita tradicional, Juliano criou uma versão menos alcoólica da bebida, feita com vinho branco, um pouco de cachaça, gengibre, cardamomo e mel. “A receita de quentão permite muitas variações”, afirma.

Hideki Fuchikami, do paulistano Hideki, topou o desafio e criou quentão oriental com shochu
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Hideki Fuchikami, do paulistano Hideki, topou o desafio e criou quentão oriental com shochu

O chef Hideki Fuchikami, do restaurante Hideki, em São Paulo, concorda. Tanto que topou o desafio de criar uma versão oriental da bebida, que batizou de Quentão do Hidekon. Para isso, substituiu a cachaça pelo destilado japonês shochu e adicionou a ameixa em conserva, típica da culinária do país do sol nascente, à receita. O resultado é inusitado, e tem leve toque salgado.

Se a ideia é oferecer a bebida em casa, vale deixar de lado a pinga barata e apostar em uma cachaça de qualidade. Mini copinhos americanos ou xícaras de café são opções simpáticas para o serviço.

 

Vinho quente pede ingredientes de qualidade
O vinho quente é uma espécie de sangria aquecida e turbinada por especiarias, principalmente cravo e canela. E sua origem pode mesmo ser importada. No norte da Espanha, tem uma sangria chamada zurracapote (ou zurra), que é curtida e servida quente em dias mais frios.

No Brasil, muito antes da popularização dos vinhos finos, convencionou-se usar o dulcíssimo vinho de garrafão, de uvas não viníferas, para fazer a bebida. O preparo recebe maçã, cravo, canela, açúcar e fica ainda mais doce – além de significar perigo iminente de ressaca.

Mas é possível melhorar a receita usando ingredientes de qualidade. A dica é apostar em vinhos frutados da uva Malbec ou Teroldego, sem passagem por madeira. Assim,  os taninos não brigarão com o potente sabor da bebida. Outra sugestão é trocar o açúcar tradicional pelo mascavo, que deixa o preparo turvo e com leve sabor terroso.

Quem acha que não vale a pena gastar dinheiro para fazer vinho quente, um incentivo: o acréscimo de maçã e especiarias faz a bebida render. Para um serviço mais charmoso, use pequenas xícaras de ágata, copinhos de cerâmica ou de barro.
 

O quentão é tradicional, o copo nem tanto
Marina Fuentes
O quentão é tradicional, o copo nem tanto

Quentão tradicional
Receita do bufê Zest Cozinha Criativa, em São Paulo, SP

Ingredientes:
600ml de cachaça de boa qualidade
600ml de água
2 1/2 xícaras (chá) de açúcar
2 colheres (sopa) de gengibre picadinho
5 cravos
3 pedaços de canela em pau
1 maçã cortada em cubinhos
Raspas de 2 limões
Raspas de 2 laranjas

Modo de preparo:
Prepare um caramelo com o açúcar e a água, junte as raspas de laranja e limão, os cubinhos de maçã e o gengibre picadinho. Adicione a cachaça, deixe ferver, abaixe o fogo e cozinhe por 20 a 25 minutos. Coe imediatamente para retirar os temperos sólidos; reserve esses temperos. na hora de servir, devolva os cubinhos de maçã ao quentão.

Dica para variar a receita: troque os cravos por sementes de cardamomo ou noz-moscada, o açúcar refinado por mascavo, mel ou melado de cana; acrescente capim santo, menta ou outras ervas frescas ao preparo.

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Quentão do Hidekon
Receita de Hideki Fuchikami, do Hideki, em São Paulo, SP

750ml de shochu
750ml de água
Casca de 2 laranjas
Casca de 2 limões
200g de gengibre em pedacinhos
2 maçãs cortadas em pedacinhos
6 umeboshi [ameixas em conservas]
400g de açúcar.

Modo de preparo:
Leve o shochu e o açúcar no fogo médio ate derreter o açúcar, ate obter a cor amarela. Acrescente as cascas de limão, laranja e gengibre. Deixe cozinhar por 20 minutos, depois coloque uma maçã picada e as ameixas. Deixe ferver por mais cinco minutos. Coe e sirva.

Vinho quente pede bebida frutada
Marina Fuentes
Vinho quente pede bebida frutada

Vinho quente tradicional
Receita do bufê Zest Cozinha Criativa, em são Paulo, SP

Ingredientes:
1 1/2 xicara (chá) de açúcar
4 pedaços de canela em pau
10 cravos
Raspas de 2 laranjas
Raspas de 2 limões
1 litro de vinho tinto seco
1 xicara (chá) de água
1 maçã cortada em cubinhos

Modo de preparo:
Ferva todos os ingredientes por 15 a 20 minutos até que os sabores sejam incorporados ao vinho

Dica para variar a receita: troque o vinho tinto por branco; cravo por sementes de cardamomo ou noz-moscada; a maçã por pêssegos frescos cortados em cubos; açúcar por por mel ou maple syrup. 

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