A Páscoa na mesa de (quase) todo mundo

Por Larissa Januário, especial para o iG São Paulo

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Para além do Brasil, as comidas típicas na Alemanha, na Espanha, na França, na Itália, em Portugal e no México

O pernil de cordeiro assado e servido com um cozido de feijões brancos e tomates maduros é típico da Páscoa na França
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O pernil de cordeiro assado e servido com um cozido de feijões brancos e tomates maduros é típico da Páscoa na França



O conceito da Páscoa surge com os judeus. Pessach em hebraico significa 'passagem'. "Da morte para a ressurreição, da escravidão para a liberdade, da recessão para a fartura, do inverno para a primavera", anota Sandro Dias, professor de história da gastronomia do Centro Universitário Senac. “Os costumes da Páscoa se mesclam e variam entre as nações de acordo com a cultura e a história local. Para os germânicos, por exemplo, o período marca a chegada da primavera e a vitória do sol, que também tem o conceito de renovação. Já os franceses comem cordeiro, um sacrifício pelo sofrimento de Jesus”.

Hoje o sentido mais difundido da Páscoa é o do cristianismo. O domingo marca o fim da Quaresma, período de restrição alimentar e até mesmo jejum para os ortodoxos. É quando se celebra a ressurreição de Jesus Cristo. E como a religiosidade por vezes pauta hábitos alimentares, a culinária de Páscoa varia com os costumes entre as nações, mesmo as cristãs.

Na Alemanha, Ostern

Na Alemanha, a Páscoa mescla cultura germânica a elementos cristãos. O feriado marca a chegada da estação das flores. O termo Ostern vem de Ostara, deusa germânica da primavera. É atribuída aos alemães a tradição dos ovos de Páscoa, que representam a renovação, o recomeço da vida. Entre os pratos tradicionais estão o osterzopf, uma rosca servida com ovos cozidos, e a Möhrencremesuppe, uma sopa de cenoura. Ambos respeitam a restrição à carne.

Como os franceses, os alemães também comem um pão em forma de cordeiro, lá chamado de Osterlamm. Já no domingo, há o Osterbraten, assado de Páscoa que pode ser feito com qualquer carne.

Na Espanha, Pascua

A Páscoa dos espanhóis é bem tradicional devido à devoção local ao catolicismo. Existe a restrição ao consumo de carnes vermelhas sobretudo na Sexta-feira Santa e, como no Brasil, recorrem ao bacalhau. Há também a tradição das torrijas ou pastéis doces, feitos de pão, leite e mel, depois fritos em azeite e passados em açúcar, mel, vinho ou canela. A rigor, são feitos por freiras e vendidos em conventos.

Na França, Paques

Os festejos começam no Mardi Grãs (a terça-feira gorda, que encerra o Carnaval) e vão até a o domingo de Páscoa. A tradição local, que data do século XII, diz que os sinos das igrejas tocam na quinta-feira Santa anunciando a morte de Jesus Cristo e, depois disso, se calam até o domingo. As crianças francesas acreditam que nesse período de silêncio os sinos voam para Roma e retornam com os ovos de chocolate.

Os franceses católicos não comem carne vermelha da Quaresma e/ou na Sexta-feira da Paixão. Trocam por pescados. Há também o gateau de Paques, um bolo assado em forma de cordeiro, que também simboliza Jesus. No domingo, a manhã gira em torno dos ovos de chocolate que podem ser seguidos de omelete ou quiche. Tudo para abrir caminho para o cordeiro assado que é o grande prato da Páscoa francesa. Segundo o chef francês Yann Corderon, do restaurante L'Amitié, o hábito de comer cordeiro no domingo foi herdado da Páscoa judaica e incorporado à tradição cristã porque simboliza a ressurreição. É o cordeiro de Deus.

Na Itália, a Pasqua

País católico por excelência. No sul da Itália, especialmente na Sicília, o grande alimento do feriado é a Colomba Pascal. “Um pão doce, semelhante ao panetone, em formato de pomba, que também lembra uma cruz, remetendo à paz e ao sacrifício de Cristo”. Tradicionalmente, o pão doce pode ser recheado de laranja cristalizada ou apenas coberto de amêncoas. É servido após o almoço de domingo ou no café da manhã.

Nos dias de restrição à carne vermelha, há uma receita tradicional da Ligúria. É uma torta de ricota e espinafre chamada de torta pascoalina. O prato é feito com massa de empadão, recheio de ricota e espinafre e divido em doze fatias. Ovos, que não são de chocolate, são abertos sobre cada pedaço. A torta é assada e servida com ovos levemente cozidos.

Calzone de cebola, bacalhau com purê de batatas e molho branco gratinado no forno e peixe da estação ao forno servido com ervilhas frescas e batata também fazem bom papel na Páscoa das famílias italianas,  assim como o cordeiro ao molho de vinho com polenta ou risoto de parmesão e o  tagliatelle ao molho bolonhesa de cordeiro.

No México, Pascua

Os mexicanos também são um povo católico. Respeitam a Quaresma, quando a carne vermelha é afastada da dieta, e têm no peixe um símbolo do catolicismo. Não há uma preferência pelo bacalhau. São diversos tipos que aparecem em ensopados e assados. Tradicionalmente usam também o nopal, um tipo de cacto, que atua como legume e é usado na salada de camarão, com ovos ou como recheio dos populares tacos.

Outras receitas típicas da temporada são o romerito (vegetal de folha verde, semelhante ao alecrim, servido com camarão inteiro e molho apimentado) e o chocalho (sopa de milho branco seco quebrado em pedaços e cozido). Para sobremesa, a capirotada (pudim feito com torradas de pão que leva queijo, leite, manteiga, açúcar mascavo e canela) e as empanadas doces recheadas de frutas como cereja, damasco, maçã e amora.

Portugal, Páscoa

O bacalhau reina absoluto - o ano inteiro. É um hábito herdado da igreja na Idade Média, quando o calendário impunha restrições alimentares que duravam por quase um terço do ano, obrigando-os a consumir o pescado.

Mas há outras receitas na Páscoa portuguesa como o bolo folar, da região de Trás-os-Montes, um tipo de empadão recheado de guisado de frango. Para a sobremesa, ninhos de ovos tradicionais da doçaria portuguesa. Esses ninhos podem acomodar massa de amêndoas, doce de gemas de ovos ou os ovos de chocolate.

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