A marmita nossa de cada dia

Fazer a comida em casa ou encomendar a refeição que será entregue no escritório pode ser mais barato e saudável do que comer fora

Junior Milério, especial para o iG São Paulo |

Divulgação
Picadinho do restaurante Na Cozinha, em São Paulo: boa opção para levar na marmita (menos o pastel, claro, que perderá o viço com o tempo)

Repare. As lojas oferecem modelos cada vez mais descolados de marmitas para quem leva comida no trabalho. Coloridas, térmicas, com divisórias. Até modelo USB (sim, para conectar no computador e manter a refeição aquecida) já foi assunto no boca a boca da internet. Em semanas de moda, não raro, dá para ver modelos (as que comem, claro) e artistas com suas quentinhas nos corredores dos desfiles. As atrizes Carolina Dieckmann e Jennifer Aniston já foram vistas com suas lancheiras.

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Mas, para o bom entendedor, não precisa dizer que é moda, bonito nem tendência. Saúde do corpo e do bolso são as principais razões para decidir levar comida de casa para o escritório ou comprar quentinhas prontas.

Em média, o brasileiro gasta 22 reais por dia para comer fora de casa. O número é da Assert (Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador). Nos centros urbanos, basta botar o pé na calçada para encontrar de tudo: quilos, bufês, pratos feitos, endereços bacanas com menu executivo, caseirinhos, ligeirinhos, padocas, portinhas com ofertas inacreditáveis a 5 reais o PF para as mulheres e 7 para os homens, com suco.

A conveniência é um desafio ao orçamento da maior parte das pessoas. Tire como exemplo o bairro do Itaim, em São Paulo: 34 reais por entrada, prato principal e sobremesa com uma água (4,50 reais, em média) e os 10% do serviço. Total: 42,50 reais. São mais de 200 reais por semana e um valor mensal de dar indigestão. E isso é só o almoço.

Com 800 reais dá para comprar carnes, arroz, feijão, legumes, verduras, frutas e bebidas e fazer comida variada todos os dias, por muitos dias, para mais de uma pessoa, e levar na marmita para o trabalho com alimentos mais nutritivos.

Outra ideia é comprar pronto. A refeição chega ao escritório na hora da fome (ou em casa, para depois ser levada para o trabalho). A chef Caro Gall, do All Light, em São Paulo, faz refeições com uma pegada saudável em três opções de entrega: almoço com lanche e jantar, só almoço e jantar ou apenas o almoço. O pacote mais vantajoso em termos de preço é o completo: 50 reais por dia e inclui almoço e jantar (entrada, principal e sobremesa) e lanche da tarde. “As entregas são feitas diariamente e as receitas são personalizadas, de acordo com a preferência e a necessidade nutricional de cada um”, explica Caro. Quem não janta no trabalho precisa dar um jeito de guardar a última refeição até a hora de ir para casa.

Quem prefere programar com antecedência o cardápio da semana pode recorrer a serviços como os da chef Fernanda Canto, do Danada da Nanda, também em São Paulo. Ela entrega toda a comida congelada no domingo. “As receitas são feitas sem gordura e sempre tenho pelo menos uma opção vegetariana”, conta. O valor é fixo: 14 reais a refeição, mas seis reais pela entrega.

Dicas para quem vai preparar a própria comida para viagem

A chef Heloisa Bacellar, do Lá da Venda, em São Paulo, é fã das marmitas. “Tenho uma coleção e meu marido leva para o trabalho às vezes.” Não é todo prato que tem bom desempenho nesse tipo de embalagem, explica Heloisa. “Mas muita coisa dá para adaptar. Quase tudo do cotidiano pode ser marmitável”, brinca.

ALGUMAS RECEITAS INDICADAS PARA LEVAR NA MARMITA

PICADINHO DE CARNE
FRICASSÊ DE FRANGO COM BATATAS COZIDAS EM AÇAFRÃO-DA-TERRA
RISOTO DE BACALHAU
MUSSE DE BLUEBERRY

Reunimos a seguir orientações para ter comida fresquinha e gostosa todos os dias, gastando menos.

- priorize alimentos frescos.

- cozinhar produtos da estação é melhor, porque eles estão em plena forma, mais nutritivos e mais baratos, já que a oferta é maior.

- para a sobremesa, doces à base de gelatina ficam bem por mais tempo. Frutas in natura também são indicadas.

- temperaturas altas comprometem alimentos mais sensíveis. Caso não tenha geladeira para guardar sua marmita até a hora do almoço, escolha uma vasilha térmica.

- grelhados e pratos únicos são uma boa e mais práticos. É o caso de arroz enriquecido com outros ingredientes, ensopados, cozidos e risotos.

- saladas frias com grãos costumam ser mais substanciosas. A vantagem é não precisar aquecer para comer.

- cuidado para não cozinhar demais os alimentos. Como provavelmente a comida será aquecida na hora da refeição, ela pode “terminar de cozinhar” nesse momento. Na hora de fazer, Interrompa o cozimento antes do ponto ideal já contando com essa finalização. Isso vai permitir comer legumes al dente, por exemplo, e não pastosos e com jeito de antigos.

- se a receita tiver bastante molho, leve-o separado para não derramar. Quanto mais fluido, pior. O molho incorporado aos outros ingredientes na medida exata, como o do picadinho ou de uma panqueca, ajuda a não ressecar a comida durante o aquecimento.

- caso o prato não tenha molho, um pinguinho de água na hora de aquecer ajuda a restituir a textura ideal para o consumo.

- na hora de escolher os potinhos de transporte, lembre-se que, se for aquecer em banho-maria, o ideal é que a vasilha seja mais alta, para não correr o risco de escorrer água para dentro. Um pote com divisórias é indicado para quem não gosta que os alimentos se misturem. Materiais resistentes ao micro-ondas são bem-vindos também.
 

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