Alex Atala: "A fama pode ser a cocaína do chef. O que vem pode ser a decadência"

Capa da revista Time, o chef do D.O.M diz ter chegado ao auge da carreira e passa o bastão da gastronomia brasileira para a nova geração de chefs

Ana Lucia Silva , iG  São Paulo |

Divulgação
Alex Atala quer passar o bastão para a próxima geração


Capa da Time, uma das revistas mais influentes do munfo, Alex Atala figura entre os mais importantes cozinheiros do mundo. Sua lista de reconhecimentos é grande: é o 2º melhor chef da América Latina pela revista Restaurant e 6º melhor do mundo pela mesma publicação, apareceu na lista de 100 mais influentes da Time e até em sorteio da Copa do Mundo ele foi lembrado.

Ele é pop e está mais na moda do que nunca. O que ele acha disso? Antes que alguém perguntasse sobre a emoção da nova capa, ele disparou em sua palestra durante o congresso Mesa Tendências, em São Paulo."Dá medo. O que vai ser amanhã? O que mais um cozinheiro pode querer? Será que eu já bati a cabeça no teto? O que vem pela frente pode ser a decadência. É importante pensar que a mídia, a fama pode ser a cocaína do chef. Chefs acabam sendo vitimados pelo vício de aparecer. Eu tenho esse medo", diz.

Para balancear o lado rock star, Atala aposta em seus funcionários. "O D.O.M é gente, o D.O. M não é o chef. A maturidade de um restaurante acontece quando uma equipe vive sem o chef e o chef não vive mais sem a equipe ", diz. "Nossa profissão é uma profissão de devoção. Eu espero não me vitimar do vício da fama, da imagem e da projeção", explica.

O futuro

Ainda não dá para saber qual serão os próximos passos de Atala, mas ele parece determinado a  passar uma nova mensagem. "Países como a França, Espanha Dinamarca, Japão e Itália chegaram ao topo do reconhecimento da gastronomia não porque eles tem uma boa cozinha, mas porque eles tem bons produtos e muitos bons chefs. O mundo já sabe que o Brasil tem muitos bons ingredientes. O mundo precisa saber que nós temos muitos bons chefs", afirma. "Em 10 anos, eu pude ver uma nova geração florescendo. Eu espero hoje estar passando simbolicamente o bastão. É sensacional ver meu país crescendo e é sensacional chegar neste momento e dizer que ele não mais me pertence. É desta geração que precisa de vocês e de apoio do governo, do produtor", declara.

"Tenho a honra de falar para vocês que o Brasil é um país maduro e que não precisa mais deste chef, mas este chef vai precisar muito ainda deste país", conclui Atala.

Leia mais: Aligot: o purê elástico

Leia tudo sobre: Alex Atala

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG