"Para mim, é muito mais importante comer do que cozinhar", revela Ferran Adrià

Top chef espanhol revela projetos para o futuro do el Bulli e da gastronomia mundial

Ana Lucia Silva , iG São Paulo |

Divulgação
Ferran Adrià




Rei da gastronomia molecular e dono do el Bulli (restaurante cinco vezes eleito o melhor do mundo pela Restaurant, fechado em 2011), o catalão Ferran Adrià veio ao Brasil apresentar sua nova aposta para fazer história.

Conhecido por utilizar tecnologia e conhecimento para transformar texturas e sabores, o chef revela que pretende inovar mais uma vez e dar novos rumos à gastronomia com a criação de um laboratório criativo, um espaço cultural e uma enciclopedia online de "arte culinária ocidental".

"Queremos que o el Bulli seja um legado e que dure mais 100, 200 anos. Nós ficaríamos no topo mais cinco, 10 anos, mas e depois? Queríamos fazer diferente ", confessa Adrià. 

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Quando o restaurante fechou, no auge da fama, surgiram muitos boatos de que ele estaria falido e até que estaria louco. Ninguém entendeu o porquê. "Hoje, para mim, é muito mais importante comer do que cozinhar. Eu sabia o que estava fazendo quando fechei o restaurante, sabia que nunca mais entraria neste ramo novamente. Para um cozinheiro profissional, fazer a comida é um ato mecânico. Para mim, a melhor comida do mundo é a da minha mãe", declara.

Francesc Guillamet/ Divulgação
Esferificação de ervilhas: a técnica de transformar líquidos em esferas é símbolo da cozinha de Ferran

O primeiro passo da nova missão foi a criação da fundação el Bulli. "Começamos a pensar o porquê fazemos, o quê é a gastronomia, como a cozinha começou, o que é tradição, como classificar um produto ou uma preparação. Nossa sociedade não permite pensar", diz. Para conseguir respostas, Adrià quer se unir às universidades, aos jovens cozinheiros e a profissionais criativos de outras áreas, como designers e artistas. A meta final? Criar um grande mapa do processo culinário, decodificando o genoma da cozinha e estimulando a vanguarda nas próximas gerações. "O mais importante é criar criadores de pratos", declara o chef.

El Bulli DNA
Na primeira etapa do projeto o foco será a criatividade, usando experiências, profissionais diferentes e até filosofia para estudar a cozinha e a comida. "Será como um grande congresso diário. Será uma revolução conceitual", explica. Tudo conectado, é claro, à internet. A previsão é que o projeto do laboratório criativo saia do papel em 2015 no próprio espaço do restaurante na Costa Brava (Espanha) com cerca de 5 mil m² de terreno.

El Bulli 1846
A segunda parte é um espaço cultural que, por meio de instalações artísticas e manifestações culturais, conte um pouco da história do homem e da cozinha. Inclui ainda um bar e um museu com a história do el Bulli. Ele vai ser agregado ao laboratório. 

O nome é uma homenagem ao ano de nascimento de Auguste Escoffier, responsável pala organização da cozinha e da brigada (equipe de cozinheiros) como se conhece hoje.

Bullipedia
Descobertas e informações gastronômicas ordenadas em um imenso banco de dados. Este é o conceito da Bullipedia que, seguindo o conceito de enciclopédia virtual, também será aberta a contribuições do mundo inteiro via internet. A edição será realizada com curadoria da equipe de Adrià.

Mas engana-se quem pensa que a Bullipedia terá um longo verbete sobre o chef espanhol. "Ela acaba na nouvelle cuisine. Precisamos de 30 ou 50 anos para ver a importância do Ferran Adrià e até mesmo do Alex Atala", provoca o chef, mesmo sendo só elogios para o cozinheiro brasileiro. "Ele é um dos melhores embaixadores da imagem do Brasil, tirando o Neymar", fala bem-humorado.

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Hospedagem gourmet (elBulli Hotel)


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